"and I feel like I'm naked in front of the crowd
cause these words are my diary, screaming and loud
and I know that you'll use them, however you want to."

Setembro 30, 2010

fim de setembro

30 dias inteiros se passaram e o meu tão esperado setembro chegou ao fim. E passou tão rápido como tudo nessa minha vida desregrada, fora de rotina e cheia de sentimentos para sentir e pensamentos para pensar.

Quando as pessoas me perguntam (e como perguntam!), como é voltar depois de tanto tempo, a minha metáfora é precisamente coerente com o meu estado de espírito. Tenho a sensação de estar saindo de um coma, abrindo meus olhos lentamente para pessoas, lugares e situações.

A vida por essas bandas, as minhas bandas, seguiram sua ordem natural e se transformaram naquilo que obviamente se tornariam. Como uma rosa que um dia fora botão. As coisas caminharam em linha reta e nenhuma surpresa até então. A não ser pela magreza do Faustão.

Eu perdi a sequência dos fatos, o desenrolar dos acontecimentos, são muitos fins e poucos meios. As coisas mudaram de um jeito ruim e insosso para mim. Como se tivéssem mudado sem mais nem menos. E aquelas que não mudaram parecem perdidas e melancólicas. Paradas no tempo, nostálgicas, abandonadas, esquecidas. Inevoluídas, palavra que não existia e acaba de ser inventada.

Além das coisas que mudaram e das coisas que não mudaram têm aquelas que eu não sei dizer. As que talvez estejam iguais e eu diferente. Os as que talvez estejam diferentes e eu igual. Já dizia não sei quem que as coisas não são como elas são e sim como nós somos. Confuso?

Enfim. Não sou fã de Victor e Léo e tão pouco do resto do sertanejo que tomou conta do meu país na minha ausência, mas preciso concordar com a letra clara que traduz bem essa sensação de confusão. "Não sei o que mudou, mas nada está igual".

E assim vou me readaptando a ser o que eu era. Os mesmos bons e velhos amigos, a cerveja no bar, a música brasileira ao fundo. As piadas incansavelmente repetidas que nunca perdem a graça. Todas as nossas histórias dos tempos de colégio e faculdade e as pessoas que habitaram esses tempos, esbarrando em mim casualmente entre tantos outros rostos conhecidos, registrados em algum lugar no meu inconsciente. As figuras de uma vida inteira, ali, vivendo suas próprias vidas bem debaixo dos meus olhos.


Em muitos momentos, nesses 30 longos e inexplicáveis dias, fui ávida ao encontro das minhas memórias mais remotas, com muito medo de tê-las perdido entre um avião e outro. E outras ainda, teimosas, remontaram-se na minha mente sem permissão. Donas de si, despertaram-se aleatoriamente ou com um clique de um lugar, um som.

Assim vou, esperando os próximos dias que virão à mercê das surpresas do futuro e das estratégias maquiavélicas do passado. Estar no lugar em que sempre estivemos, perto daquilo que sempre fomos, é não ter para onde fugir. Mais cedo ou mais tarde, dobramos aquela mesma esquina e um vendaval nos carrega para outro instante da nossa própria história.


Estar de volta é um reencontro. E como são bonitos os reencontros. Principalmente aqueles em que reencontramos nós mesmos.

4 opinadas:

CANELAFINA disse...

Agora no Brasil, venha correr com nossa galera. Aguardamos voce nas corridas de rua. Um abraço Eduardo.

Carol Graziadei disse...

Estou olhando para ti neste momento. QUE momento. Só sei que Victor e Leo são sábios e acertaram em cheio na frase. A mesma serviu para mim com a mesma intensidade, pois quando nos encontramos após 2 anos, parece que fostes 'ali' nos States e voltasse num pulo...prova de que tudo aquilo que sempre acreditamos é verdade. Every little thing! Orgulho estar em uma destas fotos tão importantes do teu blog! O mundo ficou bem mais colorido e totalmente igual novamente. Totalmente diferente ;)
amo. basta.

Léli disse...

Aiii eu tinha escrito um comentário gigante, mas o blogger me fez o favor de fazer desaparecer na hora de postar. Então só vou dizer uma coisa: amo como eu amo o meu cachorro!!

ps: que bom que estás de volta! e oh, eu estou aqui, onde quer que estejamos ;D

http://desconchavo.blogspot.com/ disse...

Que lindo isso Fabih! Há muito já tinha lido, mas não pude comentar. Porque o tempo que transforma é o que acelera as nossas vidas; que nos afoga e nos impede de concretizar certos feitos. Mas queria dizer que:
'...enquanto as coisas afinam e desafinam, a gente sobrevoa o que fomos, o que podemos ser e o que acreditamos que somos. Num suave e lento caminhar, dia após dia, para chegarmos mais perto de nós mesmos e da verdade do nosso ser'. E porque, no fundo, passamos a vida tentando voltar para a casa. Abraço!