"and I feel like I'm naked in front of the crowd
cause these words are my diary, screaming and loud
and I know that you'll use them, however you want to."

Setembro 25, 2010

cheguei

Saí da França no dia 30 de agosto. Numa manhã de céu azul, lágrimas e aeroporto. Como sempre. Deixei Mama e Papa do outro lado do vidro, com olhos cheios de água e sorrisos confortantes e preocupados ao mesmo tempo. Lá vai eu, mala, raio-x, segurança e o coração alarmado.

Assim que desapareci da vista zelosa dos dois, me sentei numa cadeira para organizar as emoções e recuperar o fôlego a fim de enfrentar os 11290,747 quilômetros que me separavam de casa. Depois de 723 dias, as 28 horas que ainda faltavam pareciam segundos ou séculos dependendo do ponto de vista.

E assim foi. Voei até Roma e no portão de embarque do vôo para Guarulhos já me senti em casa. A última vez que eu tinha visto tanto brasileiro junto foi no Brazilian Day em 2009. Fomos tomando conta dos espaços, assentos, compartimentos. Preenchemos o silêncio com o nosso português cantado e milagrosamente dormi dez das doze horas de transatlântico.

Quando aterrissamos em São Paulo, passageiros e tripulação bateram palmas. E eu enchi os olhos de água: cheguei. Era 31 de agosto e eu tinha prometido para minha mãe, estar em casa para o meu aniversário. Em terras brasileiras, senti minha promessa quase cumprida.

Fora do avião, já começou o caos e a desorganização particulares do nosso Brasil brasileiro. Mas nada parecia me incomodar, muito pelo contrário. Achei até engraçado os funcionários da Gol pulando entre as esteiras e gritando enlouquecidamente uns com os outros. Enfim, entrei no meu último vôo, aquele com destino a Porto Alegre. Alegre era pouco. A alegria só era menor que a ansiedade que a este ponto já me devorava sem dó nem piedade.

Dizem que a melhor vista de Porto Alegre é a vista de quem volta. E eles estão certos. As pessoas que me ouviram dizer que há dois anos estava fora de casa, abriam espaço para mim nos corredores do Salgado Filho: vai que tu tens pressa. E eu tinha. Pressa e nenhum cansaço.

Desci a escada, dobrei a direita e lá estavam eles. Estavam onde eles deveriam estar e eu também. Finalmente, estávamos juntos. Como a família que somos.

Assim, juntos, felizes e em família, comemoramos o primeiro de setembro na manhã seguinte. 24 aninhos e muitas histórias para contar...

2 opinadas:

Carol Graziadei disse...

Senti cada palavra e o melhor de tudo, é que estamos mais unidas do que nunca...o Brasil está em festa. Nós estamos em festa e sorte de quem pode te ter por perto a cada dia, a cada risada! Amo cada minuto mais!

Chimia disse...

Nem preciso dizer que chorei, né!
E eu continuo morrendo de saudade!
Te amo!